A produção brasileira de trigo deverá atingir 6,38 milhões de toneladas em 2026, uma queda de 18,9% em relação à safra de 2025, segundo as estimativas mais recentes divulgadas por órgãos e instituições que acompanham o setor. A redução decorre principalmente da diminuição da área cultivada, da menor produtividade esperada em importantes regiões produtoras e da migração de agricultores para culturas mais rentáveis, como soja e milho.
A área destinada ao cereal foi estimada em 2,14 milhões de hectares, representando uma retração de 12,5% frente ao ciclo anterior. Já a produtividade média nacional deve ficar em 2.985 kg por hectare, aproximadamente 7,3% inferior à registrada em 2025.
Ao longo do primeiro semestre de 2026, as projeções para a safra foram sendo revisadas para baixo. No início do ano, a expectativa era de uma produção próxima de 6,9 milhões de toneladas, mas fatores econômicos e climáticos levaram à redução da estimativa para os atuais 6,38 milhões de toneladas.
Centro-Oeste ganha importância
Embora ainda represente uma parcela menor da produção nacional, o Centro-Oeste continua ampliando sua participação no cultivo do trigo.
Goiás, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal vêm expandindo as áreas cultivadas graças ao desenvolvimento do chamado trigo tropical, adaptado às condições do Cerrado.
A região já responde por cerca de 4% a 6% da produção brasileira e apresenta algumas das maiores produtividades médias do país, resultado do cultivo tecnificado e do uso de irrigação.
Região Sul continua liderando
A Região Sul permanece como a principal produtora de trigo do país, concentrando entre 85% e 90% da produção nacional.

O Rio Grande do Sul deverá encerrar a safra como o maior produtor brasileiro, respondendo por aproximadamente metade da produção nacional. O Paraná, tradicional segundo colocado, registrou redução expressiva da área semeada devido aos baixos preços pagos ao produtor, à concorrência com outras culturas e ao aumento dos custos de produção.
Em Santa Catarina, a produção tende a permanecer relativamente estável, abastecendo principalmente o mercado regional.
Sudeste mantém produção estável
No Sudeste, Minas Gerais e São Paulo consolidam-se como importantes polos produtores, especialmente em áreas irrigadas.
A região responde por cerca de 7% a 9% da produção nacional, destacando-se pelas elevadas produtividades obtidas no Triângulo Mineiro e no norte paulista, onde o uso de irrigação e tecnologias de manejo reduz os riscos climáticos.
Nordeste e Norte ainda têm participação reduzida
No Nordeste, a produção permanece concentrada principalmente no oeste da Bahia, em áreas irrigadas. A participação regional ainda representa menos de 1% da produção nacional, embora haja expectativa de expansão gradual nos próximos anos.
Na Região Norte, o cultivo comercial continua incipiente, restrito a áreas experimentais e projetos de pesquisa, sem participação significativa no abastecimento nacional.
Brasil continua dependente das importações
Mesmo produzindo mais de seis milhões de toneladas, o Brasil ainda está distante de suprir sua demanda interna por trigo.
O consumo nacional é estimado entre 11 e 12 milhões de toneladas por ano, o que mantém o país dependente das importações, principalmente da Argentina e de outros fornecedores internacionais. Para a temporada 2026/27, as compras externas poderão superar 8 milhões de toneladas, dependendo do consumo interno e do nível dos estoques.
Expansão fora do Sul é tendência
Apesar da retração da safra em 2026, especialistas apontam que o crescimento da triticultura brasileira deverá ocorrer principalmente fora da Região Sul.
O avanço do cultivo no Cerrado, impulsionado por novas cultivares adaptadas ao clima tropical, pela irrigação e pelo aumento da produtividade, indica uma diversificação geográfica da produção. Ainda assim, Rio Grande do Sul e Paraná deverão permanecer, no médio prazo, como os principais fornecedores de trigo do país.
A combinação entre inovação tecnológica, expansão para novas fronteiras agrícolas e melhorias no manejo deverá ser determinante para reduzir a dependência brasileira das importações nas próximas décadas, embora a safra de 2026 represente um período de retração para a cultura.






